Jogos e IA nas escolas: projeto Voz Ativa quer ouvir o que os alunos têm a dizer

Uma iniciativa que une tecnologia, escuta ativa e o universo dos games está transformando a forma como escolas públicas do Distrito Federal identificam e enfrentam problemas como bullying, evasão e questões emocionais. O projeto Voz Ativa, desenvolvido pelo Instituto Multiplicidades com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, busca captar o que os estudantes sentem e pensam por meio de jogos digitais e inteligência artificial.

A proposta é ambiciosa: criar uma escuta contínua e estruturada, com base em dados reais, para embasar decisões pedagógicas e políticas públicas. “Nós estamos mapeando o que os alunos vivem dentro das escolas, seja bullying, violência familiar ou outras questões emocionais”, explica Cristiane Pereira, diretora-presidente do Instituto Multiplicidades.

Tecnologia com propósito

O sistema funciona de maneira lúdica. Os estudantes criam avatares e participam de jogos em que cada decisão tomada dentro do ambiente virtual gera dados que serão interpretados por inteligência artificial. “A IA identifica pistas comportamentais que não são diagnósticos psicológicos, mas indicadores pedagógicos”, afirma Alysson Sanches, idealizador da solução e responsável técnico do projeto.

Segundo ele, o uso da gamificação aliado à IA permite adaptar o percurso de cada aluno, respeitando suas vivências. “Cada estudante tem sua própria jornada. Somos indivíduos com dilemas únicos. O que fazemos é adaptar o jogo para que a experiência de escuta seja personalizada.”

Escuta que vira ação

A expectativa é que o projeto gere dois tipos de relatórios: um, com sugestões de políticas públicas para órgãos gestores, e outro, de caráter pedagógico, entregue semanalmente aos educadores. “O professor vai receber um mapeamento detalhado da sua turma. Vai entender como questões emocionais estão interferindo no desempenho e na convivência em sala”, diz Alysson.

O projeto já está sendo implantado em 70 escolas da rede pública do DF e pretende também incluir instituições privadas e turmas da EJA (Educação de Jovens e Adultos). “Não é algo que substitui a atuação do professor. É uma ferramenta de apoio para entender o clima escolar e antecipar possíveis crises”, complementa Cristiane.

Investimento e acessibilidade

Com investimento previsto de R$ 5,4 milhões, o projeto é totalmente gratuito para as escolas. Segundo os coordenadores, um dos diferenciais do Voz Ativa é sua adaptabilidade tecnológica. Pode ser usado em computadores escolares, celulares dos pais ou até mesmo offline, com sincronização automática dos dados quando houver acesso à internet.

“O sistema foi desenvolvido para funcionar mesmo em escolas que enfrentam dificuldades estruturais. A gente sabe que há instituições que sequer têm água tratada. Por isso, fizemos questão de permitir o uso em qualquer contexto”, destaca Alysson.

Sigilo e consentimento

A participação dos estudantes está condicionada à assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos responsáveis. E todos os dados coletados são anonimizados. “Nenhum aluno será identificado pelo nome. O sistema trabalha com códigos para garantir a privacidade”, reforça Cristiane.

A tecnologia, portanto, se transforma em aliada não apenas para o aprendizado, mas para a cidadania. “Estamos falando com uma geração que nasceu conectada. Não faz sentido proibir o uso dos games. A proposta é usar essa paixão com intencionalidade pedagógica”, explica ela. “Se o aluno gostasse de abajur, a gente faria um projeto com abajures. Mas ele gosta de games, então é com isso que vamos dialogar.”

Caminho para o futuro

Embora ainda esteja em fase de implementação, com previsão de início no segundo semestre, o projeto já provoca reflexões importantes sobre o papel da escola como espaço de escuta. “Fala-se muito sobre o projeto de vida dos alunos que vão sair do ensino médio. Mas e os problemas que estão acontecendo agora?”, questiona Alysson. “Com Voz Ativa, queremos que a escola consiga agir no presente, e não só planejar o futuro.”

O desafio, agora, é vencer os trâmites burocráticos e assinar os termos de cooperação com a Secretaria de Educação do DF para que o software comece a rodar. Mas, para Cristiane, o mais importante é garantir que o projeto tenha impacto real: “A nossa missão é fazer com que a tecnologia gere transformação concreta. Porque estudo sem entrega não muda a realidade.”

Realização:
Fomento:
Apoio:
Apoio:
Apoio:
Realização:
Fomento:
Apoio:
logovozativaw

Este projeto está sendo realizado através do Termo de Fomento Nº 971463/2024, Processo no. 01245.000396/2024-61, celebrado em 12/2024 entre Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Instituto MultipliCidades. CNPJ: 36.187.736/0001-68 | Valor do termo de Fomento: R$ 5.402.425,00.

Copyright © 2026. Instituto Multiplicidades. Todos os direitos reservados.